terça-feira, setembro 25, 2018

220. HOMENAGEM ESTC - Lições António Reis

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Cartaz: Luís Miguel Castro

O Departamento de Cinema da ESTC decidiu organizar uma homenagem ao cineasta António Reis, que foi professor da Escola entre 1977 e 1991.

A obra cinematográfica de António Reis tem sido objecto de análise e de diversas retrospectivas, mas nesta homenagem do Departamento de Cinema da ESTC, atendendo a que, durante grande parte da sua vida de cineasta, António Reis foi também professor na Escola de Cinema, a nossa intenção é privilegiar a singularidade do seu magistério, não tanto numa perspectiva de evocação memorialista, mas antes indagando hoje que aspectos, tópicos, dimensões ‘daquilo que António Reis nos legou’ poderão ser propostos à atenção da actual geração de alunos do Departamento de Cinema.

É neste contexto que se irá realizar uma iniciativa a decorrer durante a semana de abertura do ano letivo 2018-19 sob a designação de ‘Lições António Reis’.
Durante quatro tardes, entre os dias 1 e 4 de outubro, haverá a projecção de filmes e lições com o propósito de pensar como os filmes e o ensino de António Reis foram atravessados por questões ‘perscrutadas’ e ‘convividas’ noutros domínios, nomeadamente na estética e na poesia.

Desta homenagem também faz parte a atribuição do nome de António Reis à sala de visionamento do Departamento de Cinema.

A projecção dos filmes em cópias restauradas, em película, no formato de 35 mm, é feita graças à colaboração da Cinemateca Portuguesa Museu do Cinema.

PROGRAMA
Lições António Reis

Dia 1 de Outubro, 14.00 - 17.00 h
JAIME (1974), de António Reis
“Causas que seguem os efeitos ou ameixas doiradas com orvalho”, por Maria Filomena Molder

Dia 2 de Outubro, 14.00 - 17.00 h
“Um poeta da imagem”, por Nuno Júdice
TRÁS-OS-MONTES (1976), de António Reis e Margarida Cordeiro

Dia 3 de Outubro, 14.00 - 15.30 h
“Da atenção ardente”, por Manuel Guerra

Dia 4 de Outubro, 14.00 - 15.30 h
“Uma torrente chamada vida”, por José Bogalheiro

Homenagem
Dia 4 de Outubro, 16.00 h
Sessão solene
Atribuição do nome de António Reis à sala de visionamento 


AGRADECIMENTO: Muito obrigado Professor José Bogalheiro, Director do Departamento de Cinema da ESTC, pelo envio desta documentação. Será um momento feliz para a ESTC: António Reis homenageado "no lugar certo"!

quarta-feira, setembro 19, 2018

219. 50 HAIKU

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domingo, setembro 16, 2018

218. SIM MENINA

Sim menina
é do 3-0-5-9

do 3-0-5-9
dos meus nervos

Ah vida de servos
que me fina
quando lá fora há sol
ou chove

Se ao menos pudesse entornar tinta
rasgar uma folha de papel
sempre abrandava um pouco a Cinta
ou gozava noutra farsa de bordel

Mas não posso
Óculos e colegas me vigiam

E ao barulho do aparo ferrugento
enquanto pelos telhados gatas miam
vou sendo menos vosso
e mais jumento

António Reis - Poemas do Escritório, pág. 13, Porto, 1951.

sexta-feira, setembro 14, 2018

217. ODE À AMIZADE

Este livro inclui os "Poemas da Insatisfação", "Poemas à Companheira Esquecida", "Novos Poemas da Insatisfação" e...

Ode à Amizade


Vem canto branco da Amizade

Vem erguer-te em linhas novas transparentes mostrando o embrião do Sentimento

Vem canto branco da Amizade

Estende os teus braços de mulher com mãos de tentáculos e ventosas

Vem canto branco da Amizade
Vem

com mãos de tentáculos e ventosas mas sem ardil de sépia para fuga Sangue novo (e não importa a cor) estue nas tuas veias

Vem canto branco da Amizade
Vem

Fontes de crianças são ansiosas com punhados de Sonhos e de Beijos (Olha os lírios brancos Os cavalinhos de bazar)

Vem canto branco

Vem calar a Morte

Vem calar a pena de viver e almas novas plantar em cada sexo

Vem canto branco da Amizade

Vem descartar a Vida

Vem pastora núbil

Vem tanger com Compreensão e Sacrifício os Gestos sádicos dos Homens

Vem pastora núbil

parar o voo das setas de desporto e ligar as vias férreas das ideias

Vem núcleo preciso

Vem perpendicularmente cruzar as linhas paralelas das vontades

Vem núcleo preciso

ser o cérebro do Mundo em congestão

Vem núcleo preciso

há em teu andar uma Serenidade que convence

Vem núcleo preciso

há em teu andar uma Serenidade que convém

Vem mãe dos órfãos com mãe

convergir os pontos divergentes Ensinar aos Homens a última Geometria

Vem mãe dos órfãos

a patrocinar
a calar a Morte
a calar a pena de viver

Vem mãe dos órfãos

Sangue novo (e não importa a cor) estue nas tuas veias (Acabaram as cores raciais Os Homens-Irmãos as mataram na sua paleta velha O Arco-Íris agora é um diadema de luz única Há o céu azul do Amor para contraste)

Vem mãe dos órfãos
Vem

ensinar na prática aos meninos a conjugação de todo o verbo AMAR

Vem padroeira
Vem

Há milénios o Mar ciranda o mesmo canto Canto sempre verde Canto sempre verde e inflexível apesar da represa da Terra

Não virgem fértil
Não sejas estéril por pudor
Não fujas à vontade de entregar-te É humano o calor que te acicata

Abre
Abre a tua leiva ao sémen do nosso Sonho

António Reis - Ode à Amizade, pág. 43-47, Porto, 1952.

quinta-feira, setembro 13, 2018

216. CONHEÇO

Conheço
entre todas
a jarra que enfeitaste

Têm o jeito
com que compões o cabelo
as flores
que tocaste

António Reis - Novos Poemas Quotidianos, pág. 16, Porto, [1959].

segunda-feira, setembro 10, 2018

215. "TRÁS-OS-MONTES, de novo, no "Libération" (com falhas)

[Estreia em Paris, 22 de Março de 1978] 

Après le film portugais "Trás-Os-Montes". 
DES IMAGES COLLÉES AU SANG...

Les images au coeur, j'ai vu, j'ai vu des images au coeur, qui ouvrent le coeur et s'enracinent au sang, de sang de la terre.

Alors, dis-nous, bon dieu, des images comment?

Des images prises à la terre, aux visages, ceux encore collés à la terre, pas ..... visages d'ici, pas, des visages névrotiques, blancs, et rhagards. Visages lents, tu sais, couleurs de terre, et leurs yeux qui toujours...trutent un ailleurs, celui ou travaillent ..... corps qu'ils aiment: le corps du père, le tignasse du fils, loin lá-bas, on France, en Allemagne. Entre eux, il y a des lettres timbrées.

Ça aussi, je l'ai vu, des images de gens qui lisant des lettres, envoyées de là-bas, écrites pour là-bas, lues au écrites por les enfants qui savent lire, eux, écrire.

Dis, tu as vu des images de gens disparés, des images de gens qui se fisent adieu, s'écrivent, ceux restée à la terre et ceux en usine, loin?

L'image d'une petite fille, debout au milieu d'un chemin, debout et faisant le geste de l'adieu, de temps à autre, un geste, adieu, et la silhouette du père, sur un cheval, le père revenu d'Argentine et qui repart aussitôt: l'image qui dure, qui continue, l'image foudroyante. Longue et très lente image fixe. Séparation. Le père s'efface.

Et cette interminable image du train, celui que prennent les voyageurs de l'émigration, le train parti à l'aube, qui siffle dans la vailée, n'arrête pas de siffler, encore siffler, lorsque la loco-vapeur laisse des serpents de fumée, le train de l'émigration, de la séparation toujours, cette image de bleu de nuit à l'aube... Ce mouvement... Dire que c'est (probablement) l'une des (plus) fortes images de l'histoire de cinéma. Image + son. Le dire, ça. Image, son, et mouvement.

Quelques images, encore? Lesquelles, dis?

Je ne sais plus, trop l'images comme celles-ci, celle-là, qui reviennent à la mémoire lorsque, le t'endors, qui cognent sur l'imaginaire citadin et frustré, des images venues du granit et du vent, de la terre saignée, dépeuplée, des images non exotiques.

Villages exsangues, la mémoire villageoise tronçonnée, et la poudre des corps déjà morts qui, au village, de Constantim, va rejoindre la terre des ancêtres. Une voix le dit, dans le film.

Trop d'images, bien trop intenses pour quelqu'un qui vit et crève dans Paris. Pourrons-nous les garder, longtemps, dans notre mémoire? Ça va si vite ici.

Une fiche technique:

"Tràs-Os-Montes" (littéralement Au-delà des montagnes), la province du Nord Est portugais, montagneuse et enclavée, sous-développée: un réservoir de main-d'oeuvre pour l'émigration. Dépeuplement et fermeture.

Filmé en 1975, sur pellicule 16 mm couleur, par les cinéastes Antonio Reis et Margarida Cordeiro (réalisateurs de "Jaime", 1974). Produit (notamment) par de Centre portugais du cinéma. Le volet d'une série dite ethnographique. Tourné avec les seuls habitants de la province. 2 prix au Festival de Toulon, septembre 76 (voix Libération du 16.9.76). "A voir", dès ce soir, au Studio Action République (20H.-22H. Fl. à 12F), métro République. Tél. 895 51 33. Et "à revoir" demain...

Jacques DOYON

Jornal Libération, de 4 de Abril de 1978.

NOTA:  A fotocópia que possuímos do artigo do "Libération" encontra-se em péssimas condições... por isso, esta transcrição apresenta falhas e erros. Mesmo assim, insistimos em publicá-la no blogue. Se tiver uma melhor cópia do jornal e quiser partilhá-la connosco... desde já agradecemos!

domingo, setembro 09, 2018

214. "TRÁS-OS-MONTES" no "L'Humanité"

[Estreia em Paris, 22 de Março de 1978] 

Les Saisons et Les Jours
Tras-os-Montes de Antonio Reis et Margarida Cordeiro

Tras os Montes est un des plus beaux, des plus grands films qui aient produits alors que le Portugal commençait à respirer normalement, le régime fasciste mis à genoux. Tras os Montes, grâce à ces deux réalisateurs, Antonio Reis et Margarida Martins Cordeiro, c'est une sorte de livre d'heures, de chronique des saisons et des jours enregistrée dans la campagne portugaise, dans une région très reculée. Tras os Montes, c'est une sorte de film élégiaque, d'ode à la nature, aux gens, au temps et à la durée, à la palpitation, lente ou accélérée, de la vie.

Il s'agit de ne pas s'y tromper. Tras os Montes n'est en rien un document, un fil d'information sur cette région du Portugal qui, comme toute autre région géographique au monde, a connu et connait des mutations. C'est une oeuvre de pure et entière création.

La région considérée n'est pas le sujet mais le cadre arbitrairement choisi pour une oeuvre de pleine et entière imagination, restituant la perception enfantine, le souvenir qui en reste plus tard d'incursions en province, de retour aux sources familiales et vers la "grande maison" de vacances d'une famille de bourgeoise moyenne. Dans cette fameuse "grande maison", on retrouve aussi bien un vieux phonographe que la photographie du grand-père qui avait un temps émigré en Amérique du Sud. On retrouve les pièces et les greniers où l'on fait, les doigts vite salis, des découvertes émerveillées lorsqu'on este encore à l'approche de l'adolescence.

C'est par la beauté, la belle rusticité de sa matière que Tras os Montes compte le plus, par le rythme auquel défillent les lourds nuages, par la présence de ces splendides formes géographiques que dessinent les eaux prises par le gel, par la présence de la poussière que soulèvent, en belle saison chaude, les charrues mordant le sol, les charrues traînées par des ânes.

Miroir Moderne

En marge de cette élégie au sol, à la terre, à la neige, au verglas, aux cristaux finement découpés, au fil de l'eau du dégel, au vent et au soleil, il y a aussi l'élégie sentimentale, l'élégie aux traditions. L'intrusion des formes les plus anciennes de culture, la pénétration du film par d'autres temps, d'autres personnages que ceux du temps présent (volontairement peu et mal daté) du film peut souvent sembler "plaquée" et arbitraire, artificielle mais il est aussi des moments où une jeune femme en coiffure moyenâgeuse nous apparaît comme très justement inscrite dans une survie culturelle qui l'autorise à évoluer en toute tranquillité devant un miroir moderne, fin du XIXe siècle ou début du XXe. Habillés en costumes encore crédibles d'aujourd'hui, deux vieillards accusent deux adolescents d'emprunter, d'usurper l'identité de leurs ancêtres, morts depuis des décennies, des siècles même. C'est une politique systématique - qu'il faut accepter ou refuser au départ - pour Tras os Montes que de brouiller les cartes historiques, de mélanger les temps et les époques dans la fidélité incohérente de la mémoire.

Tras os Montes c'est un poème sur un monde, sur des sensibilités qui se souviennent, un poème d'hier et d'aujourd'hui, parce que si les moeurs évoluent vite, si les modes se bousculent, la terre subit une érosion beaucoup plus lente, surtout lorsque les stratifications sociales fixent, bloquent, figent les termes et les cadences d'évolution. Tras os Montes nous vient d'un pays qui fut longtemps bloqué, arrêté, privé de souffler. Le style contemplatif du film est certainement aussi témoignage d'une volonté de réflexion, d'une volonté reprendre respiration, de respirer à pleins poumons l'air du temps, l'air des souvenirs avant l'air de l'avenir.

Esthétiquement beau, matériellement et affectivement sensible, Tras os Montes est aussi, à sa manière, un film qui exprime, en creux, les modulations politiques au Portugal. Sous Salazar ou sous son sous-verge Caetano, ce film aurait été impossible. Il fallait quelque chose de différent (avec quel devenir?) pour accepter ce film long et lent où l'on gaspille de la pellicule et de la bande sonore à regarder et à entendre le très lent et très long départ d'un cavalier sur son mulet dont la silhouette se perd à peu vers l'horizon.

Il fallait quelque chose de différent l'après-salazariste, pour que ce film puisse être ambitieux et différent de la production fasciste et différent du mercantilisme. Il fallait cette "Révolution des oeillets" qui fut à sa façon "le temps des cerises" au Portugal.

Albert  Cervoni

Jornal L'Humanité, 22 de Março de 1978.

NOTA:  Este texto foi retirado da obra "António Reis e Margarida Cordeiro - a poesia da terra", de Anabela Moutinho e Maria da Graça Lobo. Não possuímos o artigo original. Se tiver uma cópia do jornal e quiser partilhá-la connosco... desde já agradecemos!

sexta-feira, setembro 07, 2018

213. "TRÁS-OS-MONTES" no "Écran"

[Estreia em Paris, 22 de Março de 1978] 

TRAS-OS-MONTES

Um petit berger lance des cris stridents pour rassembler ses moutons, une femme raconte à sa fillette l'histoire de "Blanchefleur", deux gamins en promenade s'égarent dans le paysage mais aussi dans le temps et débouchent dans un avenir qui n'est sans doute que celui de leur imagination, une paysanne dicte à son fils une lettre destinée au père émigré en France, une voix raconte que les villageois sont si pauvres que l'hiver précédent, ils ont dû manger de la neige.

Cet étrange et beau film évolue sans cesse entre le documentaire et la fiction, entre le reportage ethnographique et l'onirisme poétique. Tras-os-Montes, "au-delà des monts", est une province du nord du Portugal, une région oubliée de Dieu, comme on dit, hors de l'histoire en tout cas. Paysage sévère, climat rude, pays sous-développé dont les hommes n'ont guère d'autre solution que d'aller chercher du travail en France, en Allemagne ou à Lisbonne. "Mon pays est une terre d'absents", dit la voix off qui court tout au long du film, qui est peut-être celle des auteurs (la co-réalisatrice est originaire de cette région) et unifie dans un contrepoint poétique les images du présent et les souvenirs du passé.

Car l'unité dramatique et plastique du film se situe au niveau de la mémoire, ce qui est rendu sensible par le fait que les protagonistes sont des enfants: la candeur et la vérité, ces valeurs morales généralement attachées à l'idée qu'on se fait du jeune âge, sont aussi celles qui déterminent le regard des auteurs et confèrent à leur film ce caractère insolite et cette poésie rêveuse qui en font tout le prix. Il fait savoir qu'Antonio Reis est une poète estimé au Portugal et qu'il a réalisé en 1974, JAIME, um très prenant moyen métrage sur la folie, évoquée par lui comme un univers parallèle. TRAS-OS-MONTES se situe dans la même perspective, celle du refus de tout réalisme (naturalisme) primaire où s'enferment si tristement et si platement tant de films: il brise constamment la naive "impression de réalité" qui semble être le credo de l'impuissance filmique. Les caractéristiques techniques du film (tournage en 16 mm) vont elles-mêmes dans le sens de cette distanciation. D'aucuns trouveront que les images ne sont pas bien "léchées", que le son n'est pas très "propre": j'y vois au contraire une preuve supplémentaire d'authenticité et de créativité, car il y a dans ces images - par ailleurs très travaillées - une certaine rudesse qui évite la mièvrerie habituelle de la couleur et dans le son - qui a cependant la force et la vérité du direct - une volonté constante de contrepoint.

Le propos ethnographique de l'oeuvre relève d'une tradition qui se situe quelque part entre Buñuel (les Hurles ne sont pas loin du Tras-os-Montes) et Ivens (les auteurs ont délibérément écarté le pittoresque et leur film n'est pas récupérable comme instrument de publicité touristique) mais ce substrat documentaire n'est que le point de départ d'un essai historique et social (et par là-même politique: c'est pourquoi le film a suscité la colère de quelques bonnes âmes au Portugal) qui évoque très précisément, à travers la parabole, les problèmes de cette région déshéritée, tout particulièrement l'émigration et l'éloignement du centre de décision, de la capitale politique et administrative. Ces gens se sentent loin du pouvoir et loin des lois, et c'est un texte de Kafka, lu en dialecte local, qui exprime avec force ce sentiment d'abandon et d'impuissance. Pourtant le film se termine sur une discrète note optimiste: un gamin prend le train à l'aube pour aller étudier à Porto.

Ma tentative d'élucidation du propos et du style de l'oeuvre ne peut rendre compte de la magie profonde qu'elle exerce et qui en fait l'étrange et inoubliable beauté. Mélange constant du réel et du rêve, du présent et du souvenir, effleurement du fantastique dans les paysages et les gestes de tous les jours: la bande sonore ne comporte pratiquement aucune musique mais le film tout entier est une sorte de partition rêveuse et prenante, une sonate pour la plainte du vent et la litanie des voix, un duo de la nature et de l'homme. 

Marcel Martin

Revista Écran, n.º 68, pág. 45-46, 15 de Abril de 1978

segunda-feira, setembro 03, 2018

212. "TRÁS-OS-MONTES" no "Matin de Paris"

[Estreia em Paris, 22 de Março de 1978] 

TRAS OS MONTES, de Margarida Martins Cordeiro et Antonio Reis

Un conte de fée politique

Le marteau bat sur l'enclume mais il n'y a plus de cheval à ferrer. Les métiers à tisser vont et viennent mais on n'habille plus que les femmes du village. L'hiver, la mère donne de la neige à manger à ses enfants. Voilà, c'est la province de Bragança au nord-est du Portugal, c'est le village de Tras Os Montes, par-delà les monts. Dans un film clair comme un poème et accusateur comme du Dovjenko, Margarida Martins Cordeiro et Antonio Reis parlent de leur pays, contrée des absents, le Portugal. 

Les hommes ont passé la frontière. Ils cherchent fortune en Argentine, sont ouvriers en France, et Armando envoie une lettre de là-bas, pendant que sa femme dicte la réponse à son petit garçon car elle ne sait pas écrire. On pense au film docummentaire Los Hurdes de Bunuel, mais Tras Os Montes se regarde plus facilement. C'est plutôt un conte de fées politique. Deux petits garçons nous renvoient à un passé de traditions, de légendes, quand on attendait la princesse Blanche-Fleur et qu'elle se montrait à l'entrée d'une grotte au sein d'un vol de colombes.

Il était une fois... Oui, il était une foie une mine, des familles de paysans qui s'aimaient, qui dansaient et la femme venait sur âne à la noce, offrait un verre de vin au promis, debout sur le seuil de la porte. A présent, la mine est morte, on n'a jamais de nouvelles de la capitale. Qui fait les lois? se demande le peuple de Tras Os Montes: les nobles, les notables? On obéit mais, ici, il n'y a plus de notables. Seulement des femmes qui veillent sur leurs enfants malades et des petits garçons sur leurs moutons.

Margarida Martins Cordeiro et Antonio Reis ont risqué le plus beau parti pris qui soit face au documentaire. Ils y mêlent le présent aride et le passé médiéval, la constatation politique et la légende contée le soir au pied du lit des enfants qui s'endorment. "D'un côté de la rivière, un jour, il y avait des brebis noires, de l'autre des brebis blanches. Chaque fois qu'une noire bêlait, une blanche traversait la rivière et devenait noire et, chaque fois qu'une blanche bêlait, une noire traversait la rivière et ressortant de l'eau, elle était blanche".

Ainsi des Portugais qui passent la frontière. Arrivés dans les quartiers de notre capitale à nous, devenus ceux qui travaillent pour les Français dans nos maisons et nos garages, ils ont changé de couleur. Tras Os Montes ne nous dit pas laquelle. Mais nous la devinons, à contempler cette terre d'oubli. Dépeuplée, apauvrie à jamais. Le fils et le père prenent le train. Et le film se clôt sur la fumée ancienne des chemins de fer à charbon qui traverse, la nuit, le silence du Portugal déserté. Un film à voir absolument: On ne résiste pas impunément à la poésie politique.

Claire Clouzot

Jornal Matin de Paris, 10 de Abril de 1978.